segunda-feira, julho 31, 2006

Um Tempo Que Passou


Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem

Ou
Alguém o achou
Examinou
Julgou um tempo sem sentido
Quem sabe, foi usado
E está arrependido o ladrão
Que andou vivendo com o meu quinhão
Ou dorme num arquivo
Um pedaço de vida, vida
A vida que eu não gozei
Eu não respirei
Eu não existia
Mas eu estava vivo
Vivo, vivo
O tempo escorreu
O tempo era meu
E apenas queria
Haver de volta
Cada minuto que passou sem mim

Sim
Encontro enfim
Iguais a mim
Outras pessoas aturdidas
Descubro que são muitas
As horas dessas vidas que estão
Talvez postas em leilão

São
Mais de um milhão
Uma legião
Um carrilhão de horas vivas
Quem sabe, dobram juntas
As dores coletivas, quiçá
No canto mais pungente que há

Ou dançam numa torre
As nossas sobrevidas
Vidas, vidas
A se encantar
A se combinar
Em vidas futuras
E vão tomando porres
Porres, porres
Morrem de rir
Mas morrem de rir
Naquelas alturas
Pois sabem que não volta jamais
Um tempo que passou
(Chico Buarque)

quinta-feira, julho 27, 2006

Seus Olhos


Você já me viu sério
já me viu de porre
me viu fazendo drama por sua desordem
Mas triste, isso eu nunca quis
Que você visse
Os meus olhos sentem a falta dos seus
O meu corpo sente a falta do seu
A minha alma sente a sua falta
Quis que o nosso mundo
Fosse um conto de fadas
Amando o tempo todo
Em todo canto da casa
Mas isso, hoje eu aprendi
Que não existe
Os meus olhos sentem a falta dos seus
O meu corpo sente a falta do seu
A minha alma sente a sua falta
Mas nada vai fazer
Com que eu desista
Nada é pra sempre
Eu sei que sou capaz
A vida não é isso
Ela é muito mais
Só tenho que dormir de novo
Pra sonhar de novo
(Pit Passarell)

quarta-feira, julho 26, 2006

REATIVAÇÂO

Por que de repente me deu uma vontade de gritar, de morrer, de matar!!
De repente uma agonia me sufocou, como um a corda amarrada ao meu pescoço, como um passaro com asas quebradas, se debatendo na gaiola, como uma estrela que cai, e morre, e se apaga...
Por que eu sedejo, e nao posso, e quero e finjo que nao, e luto contra mim mesma, e rogo por compreensão, e clamo por uma chance, talvez duas, ou muitas...
Por que eu vivo pra isso.